quinta-feira, 27 de agosto de 2009

2 poemas

Sua boca fere mais que

bomba-relógio, bala de canhão


Sua boca fere mais do que

Atentado terrorista de barbudo do Afeganistão


Sua boca: Máquina de matar

Causar dor


Sua língua: lâmina de liquidificador


....... ....... .......



8 primaveras e o que restou:

Dedo em riste e o filho triste

Que eu não quis ter


Música lenta de uma nota só

Vida em dó


8 primaveras e o que ficou:

Dedo em riste e o cara triste

Que eu não quis ser

Você viu esse bigode por ai?


Pessoalmente, eu o vi pela útima vez em um show melancólico, mais do que ele já costuma ser, numa noite chuvosa na cidade de caldas Novas. Pra mim ele estava desaparecido desde essa data. Aliás, se não fosse a reportagem do Fantástico, além da ex-mulher a quem ele deve 100 mil reais de pensão alimentícia, alguém mais teria notado a sua ausência?

Esse deve ser um caso único de alguém que volta a figurar a mídia exatamente por ter desaparecido completamente.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Deus está à venda...


E é você que decide quanto quer pagar. Mas lembre-se, o tamanho da sua fé é medido pelo tamanho da sua doação



“E você vai apresentar neste altar o teu sacrifício, que é de R$ 100 mil, que é de R$ 50 mil, de R$ 30 mil, de R$ 20 mil, de R$ 10 mil. Eu vou me desfazer daquela casa que eu tenho, daquele carro ou daquele apartamento, ou do que eu tenho. Eu vou colocar os R$ 10 mil no altar, eu vou tirar da minha poupança, mas como sacrifício será válido, meu Deus!



Eu tenho fé pra dar meu carro agora, já pega a chave, documento, preenche seu papel, diga, ô meu Deus, eu tô colocando aqui no teu altar



E você vai pegar o que você tem e você vai colocar no altar. Então, pega o que você tem, pro teu sustento, pega aqui e deixa aqui pra Deus. Hoje é tudo ou nada. Em nome do senhor Jesus!



Que o menor dízimo seja R$ 1 mil, em nome de Jesus! ”



Meus filhos, a fé move montanhas... De dinheiro.


sábado, 4 de julho de 2009

Minha vida de cachorro


Quando a vida o tratar como um cão, saiba que isso é só uma maneira dela dizer: humanize-se!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Deus, em caso de mau funcionamento...

Para quem acredita, Deus está o tempo todo presente em suas vidas. Existe, no entanto, momentos em que Ele se mostra ainda mais presente. Quando algo de bom nos acontece o “graças a Deus” é automático, até os ateus fazem uso dessa expressão. Diante de uma tragédia, as pessoas procuram se consolar com um “essa foi à vontade de Deus”. E ainda em momentos de estupefação, Deus pode aparecer numa exclamação, “meu Deus!”.

Nessas três situações, Deus funciona como um alento, um consolo e um motivo para resignação. Mas, em alguns episódios Deus nos serve mesmo para Nele colocarmos a culpa pelos nossos males, as nossas tragédias pessoais. “Deus, por que fez isso comigo?”, “Deus, o que eu fiz para merecer isso?”. Até Jesus quando crucificado foi levado a questionar “Eli, Eli, lamá, sabactáni?”, ou seja, "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?" É nessa hora Que Deus cumpre sua função mais importante.

Imagina o que seria de nós sem Deus para imputar culpa? Um Deus que não podemos culpar por nossas desgraças não serve pra nada, não funciona. E como me disse certa vez um amigo, nesse caso, é melhor trocar de Deus.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Sertanejos de 3º grau


De vez em quando a indústria pornográfica, digo, fonográfica nos brinda com algum “novo” segmento musical. ultimamente o ritmo que tem arrebatado multidões é conhecido por sertanejo universitário.

Todo mundo já deve ter ouvido mas, pouca gente sabe o significado exato do termo. Eu, por exemplo, não sei.

Ainda não consegui identificar a diferença entre o universitário e os outros ritmos sertanejos. Se esse novo sertanejo é o universitário devo concluir então que os mais antigos são de ensino médio e fundamental? Qual é o grau de escolaridade de Chitãozinho e Xororó, 8ª série?

Enfim, são muitos os questionamentos e eu não sou exatamente um expert no assunto. De qualquer modo fico feliz de ver que o sertanejo deixou aquela vida sofrida do campo e chegou até uma faculdade. Espero que não desistam dos estudos. Quem sabe um mestrado, um doutorado? Talvez assim consigam até fazer música com alguma qualidade.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ah! Os jesuítas

Sou professor de história em um colégio estadual que se dedica também a educação de jovens e adultos. Ontem, durante o horário das aulas, uma missa católica foi celebrada em homenagem as mães e alguns fatos me chamaram bastante atenção.

A maneira como os clérigos conseguem prender o público é fantástica, as pessoas os escutam com uma dedicação e respeito realmente impressionantes. Mesmo quando não tem a menor ideia do que eles estão falando.

Durante a missa foi lida uma passagem bíblica, atos dos apóstolos, essa passagem, se não me engano tirada do Antigo Testamento, fala de conversão. Em um trecho aparece a expressão “circuncidar” que alguns dos membros de uma tal comunidade citada no texto diz ser necessário como um último ato de conversão.

Eu fiquei realmente muito intrigado, o texto, apesar daquele ser um culto cristão da Igreja Católica, fala da conversão ao judaísmo. Imaginei quantas pessoas ali presentes tinham conhecimento disso, quantas pessoas que estavam ali ouvindo atentamente cada palavra dos clérigos conheciam o termo circuncidar.

Durante cinco aulas eu tentei fazer com que meus alunos do 1º ano do ensino Médio se interessassem pela história dos hebreus e me escutassem com o mesmo interesse a que eles dedicavam as falas dos sacerdotes. Diferente dos padres fracassei miseravelmente. Foi ai então que tive uma luz. Deveríamos voltar ao tempo em que os padres jesuítas se ocupavam da educação no Brasil. A atenção e o interesse que eles conseguem arrancar dos alunos nenhum professor é capaz. A educação estaria salva, no que diz respeito a indisciplina então, nem se fala. O silêncio era total, só quebrado quando o padre, que aliás não é ainda um padre, mas um diácono, imagina quando se tornar padre, pedia a participação do público.

Em um determinado instante do culto ele se dirigiu as pessoas e perguntou de uma tal mulher, mãe, que havia nascido na pequena cidade de Nazaré. As pessoas ainda tímidas respondiam em um tom de voz bem baixo, “Maria”. Ele então teve que perguntar mais algumas vezes até que o público tomasse coragem para se manifestar com um pouco mais de entusiasmo. Nesse momento se destacou a voz de uma mulher, que em um tom mais alto que os dos demais presentes, disse com uma dicção impecável, “Maria Madalena”. Maria Madalena!? Pensei, mas essa não é a tal seguidora de Jesus que alguns dizem, foi uma prostituta?

O diácono, obviamente estava se referindo a Maria mãe de Jesus e não a Madalena prostituta. No entanto diante da passividade da platéia eu até fiquei em dúvida. Na minha aula quando um aluno responde a uma pergunta qualquer com um mínimo de inexatidão os outros alunos se esgoelam em risadas e escárnios. Mas ali, diante da imponente figura sacerdotal, se quer cochicharam.

O momento alto da celebração, no entanto, foi quando o candidato a sacerdote leu um poema de Pe. Zezinho, uma celebridade da Igreja Católica, que fala das mães. “As mães, em geral, são carinhosas, atenciosas, cuidadosas, caprichosas, misteriosas, amorosas, caridosas, curiosas e, quando preciso, teimosas. Responsáveis, amáveis, adoráveis, abraçáveis, beijáveis, maleáveis, indomáveis, macias, ajustáveis, às vezes indecífráveis...” e por ai vai. “...Todos esses verbos para descrever as nossas mães”, disse o futuro padre. Eu fiquei petrificado, tal qual Jesus que transformou a água em vinho, o cara tinha transformado em verbos os adjetivos, e olha que ele ainda nem é padre heim?!?

É por essa e outras que considero os clérigos ideais para cuidar da educação nesse país. Pra tal tarefa só mesmo um milagre.