sábado, 20 de outubro de 2007

Em tempos de Tropa de elite


O filme Tropa de elite tem provocado inúmeras reflexões. Quem diria que um filme que tem policiais como protagonistas pudesse ser capaz da tal feito. Já começou suscitando um debate sobre a pirataria antes mesmo de chegar aos cinemas. O diretor foi acusado de ser fascista, Wagner Moura que parecia ser uma unanimidade nacional foi chamado de mau ator por um famigerado jornalista de uma famigerada revista que nem havia assistido ao filme e só conhecia Wagner Moura por “meia dúzia de fotos”, segundo ele próprio. Enfim, teve de tudo, gente que gostou porque considera a postura truculenta dos policiais do filme a melhor maneira de tratar a bandidagem. Gente que não gostou porque não concorda com a reutilização de sacos plásticos como instrumentos de tortura, ou porque simplesmente não gostam de ver a realidade. Mas de todas as questões levantadas, nenhuma é mais polêmica do que a da legalização das drogas como solução para a violência do tráfico. Aliás, talvez tenha uma ainda mais controversa, a da responsabilidade do usuário de drogas pela violência nas grandes cidades. No filme, na visão dos policiais, a culpa pela existência do traficante é do usuário. Eu acho mesmo que o usuário tem sua parcela de responsabilidade, assim como tem culpa do desmatamento da Amazônia aquele que aprecia uma boa picanha. Afinal de contas, a agropecuária tem devastado enormes áreas de florestas, além de ser a causa de outros grandes desastres ambientais. Por exemplo, você que não fica sem o seu leitinho com Toddy antes de dormir, é um dos maiores culpados pelo aquecimento global e pelo buraco na camada de ozônio, a criação de gado está diretamente ligada a emissão de gases nocivos na atmosfera que potencializam esses problemas.

Eu tenho uma solução, vamos prender os usuários de drogas, os bebedores de leite e os comedores de picanha, e libertar os traficantes. Uma vez livres destes facínoras viciados em leite com Toddy, cocaína e maconha, estaremos a salvo do aquecimento global a da violência do tráfico.

sábado, 6 de outubro de 2007

Verbo único

Traçado o ponto de fuga, pegue a linha do horizonte

Não há o que temer

Entre as curvas, evolutiva e civilizatória, existe uma ponte

Lá embaixo, no fundo, o rio do tempo

Rumo ao infinito de realidades múltiplas

Pluriverso

Escrito sobre linhas tortas

Eu queria ser um rato


Você é um homem ou um rato? Quem me dera poder responder a segunda opção. Esse pequeno roedor tem como habitat natural os campos. Já há algum tempo achou que seria bom negócio estar em companhia do homem. Claro, existe aí uma relação de interesse, mas qual relação não é no fundo movida por algum tipo de interesse. Há os que habitam esgotos, esses, do tamanho de cavalos, há também os que moram em porões e sótãos e que de quando em vez, para desespero das donas de casa, resolvem visitar a cozinha. Apesar de sua declarada e evidente preferência pelo convívio com os humanos, a recíproca não é verdadeira. Temos tratado-os a vassouradas e até abrigamos e criamos o seu pior inimigo, o gato. A ingratidão é tamanha que se quer lembramos deles ao pedir a proibição de pesquisas cientificas que utilizam animais como cobaias. Falam dos chipanzés, dos coelhos fofinhos, dos cachorros, mas ninguém se lembra do sofrido e pequenino roedor. No entanto, isso parece tê-los favorecido. Já que não lembramos de clamar por sua liberdade, a prática de utilizar ratos como cobaias na tentativa de melhorar a vida do homem, na verdade, tem mesmo é contribuído para a melhora da vida dos esquecidos e injustiçados roedores. A lista de novas descobertas no campo da medicina que tem favorecido uma vida mais saudável e longeva aos ratos é enorme, avanços consideráveis no tratamento de doenças como a calvície, obesidade, diabetes, e mal de Parkinson têm sido alcançados. Tiveram suas vidas prolongadas em cerca de 30%, estão ficando bem mais inteligentes. E a lista não para por aí, impotência, paralisia de órgãos, e existe até mesmo um rato que possui uma orelha extra grudada em suas costas, aliás, uma orelha humana.

Não há como competir, eles ganham em número, e agora são também geneticamente superiores. Se continuar nesse ritmo brevemente os ratos é que estarão fazendo dos humanos suas cobaias, o que pode, no final das contas, nos favorecer. Em um processo inverso poderemos conseguir de volta o controle.

Estamos pagando o preço por nossa empáfia e arrogância, nunca tratamos bem as outras espécies animais, mas aos ratos dedicamos especial desprezo. Agora não adianta mais, estamos condenados ao esquecimento dentro de alguma jaula fria nos fundos dos laboratórios de pesquisas dedicados a melhorar a vida desses seres superiores, os ratos.

Como alcançar a felicidade


“Os seres humanos são a única espécie, entre o céu e a terra, que se atormenta com a sobrevivência, como se a natureza não lhe oferecesse graciosamente tudo que precisa para ser feliz. Por que será, então, tanto tormento?”. (Oscar Quiroga)

Você pode possuir tanto dinheiro quanto puder gastar, ter todas as mulheres ou homens que quiser, e ler todos os livros de auto-ajuda que conseguir, ainda assim, só terá momentos de felicidade. A cada sonho realizado, um novo surge, para cada sonho de consumo alcançado, há sempre um próximo, que ainda, vem acompanhado do medo de perder o que já conquistou. Estamos eternamente a procura de uma resposta para uma pergunta que nem sabemos exatamente qual é. O mundo desaba ao menor sinal de um novo problema, seja ele grande ou pequeno, aliás, problemas pequenos não existem, a não ser os dos outros, os nossos, são sempre grandes problemas.

O sonho de ganhar muito dinheiro, como forma de atingir a felicidade, é disparado, o mais recorrente. Dez entre dez pessoas sonham ficar ricas. Mas, uma pesquisa recente, publicada em uma revista semanal de grande circulação, apontou, que o ditado, “dinheiro não traz felicidade”, ao contrario do que todo mundo pensa, tem sim um fundo de verdade. Segundo a pesquisa, a sensação de felicidade provocada pela compra de algum novo objeto de desejo, não dura mais que alguns dias, sendo substituído mais tarde por um novo fetiche.

O sonho de um corpo “perfeito” é o mais comum dos dias atuais. Ter uma boa aparência é cada vez mais associado a uma vida feliz. Baseado nisso, seria natural pensar que modelos e manequins são pessoas felizes por terem um visual, tido como ideal de beleza. No entanto, uma outra pesquisa, publicada na mesma revista, mostrou que mais de 90 % das modelos entrevistadas não estão satisfeitas com a aparência, e gostariam de mudar alguma coisa.

Alguns poderiam dizer que a felicidade não se encontra no mundo material, mas, em Deus. Estando o acesso a Ele sob monopólio das religiões, só poderíamos supor que, para sermos felizes precisaríamos nos dedicar a uma religião. Se for assim, diria que, a julgar pela enorme quantidade de religiões existentes, estaríamos salvos. Mas, infelizmente, não parece que isso tem ocorrido, o mundo ainda anseia intensamente alcançar a felicidade plena.

Onde Deus teria escondido, então, a chave que abre os portões do castelo da felicidade absoluta? Será mesmo que em vida nunca poderemos alcança-la? Ou será que estamos procurando nos lugares errados?

A resposta é bem mais simples do que imaginamos, e o que é melhor, o fenômeno que irá transformar-nos em seres plenamente felizes, já está ocorrendo em todo o globo, neste exato momento.

Guerras, fome, miséria, essa é cara do mundo em que vivemos. Nos paises pobres as pessoas são exploradas até o limite em seus trabalhos, e ainda, devido a circunstancias, devem considerar-se privilegiadas por estarem trabalhando. Enquanto outros cidadãos, desses mesmos paises, querem a qualquer preço ocupar vagas em subempregos nas nações industrializadas.

Os meios de comunicação de massa se esforçam para tirar de nós os últimos vestígios de inteligência e senso critico. Tomamos o rumo da barbárie. Estamos nos desumanizando ao ritmo do capitalismo. Vivemos a era da involução e chegaremos, em breve, a irracionalidade. A humanidade, como caranguejo na lama, caminha sem pausa rumo a selvageria.

O teólogo Leonardo Boff, certa vez declarou que falar de direitos humanos no Brasil é um luxo, já que aqui muitas pessoas não têm os seus direitos mais básicos atendidos, como a necessidade de matar a fome, por exemplo. Adultos, jovens e crianças vivendo nas ruas, tentando sobreviver dos restos e da caridade de estranhos.

E tudo isso, é ótimo! Quanto mais nos distanciamos da realidade que nos cerca, quanto menos conhecimento de nossa condição de superexplorados tivermos, enfim, quanto mais nos afundamos na ignorância e na alienação, fomentada por nossa rotina de trabalho e televisão, mais entorpecidos ficamos diante da tristeza a nossa volta. E os miseráveis, esses sim, estão mais próximos do que nós da felicidade absoluta, não sonham alcançar mais nada na vida, não esperam conseguir mais do que um lugar para encostar a cabeça. São como animais, e como tais, não sofrem com sua condição, pois a consciência de si mesmo, é privilégio dos humanos.

Mas, infelizmente esse fenômeno não atingirá a todos. Os ricos e poderosos, que tem acesso à cultura, educação, bons livros, televisão a cabo, internet. Comem nos melhores restaurantes do mundo, viajam por todo o mundo, coitados, ficarão de fora. Condenados ao tormento incessante de sua condição humana.