sexta-feira, 26 de junho de 2009

Deus, em caso de mau funcionamento...

Para quem acredita, Deus está o tempo todo presente em suas vidas. Existe, no entanto, momentos em que Ele se mostra ainda mais presente. Quando algo de bom nos acontece o “graças a Deus” é automático, até os ateus fazem uso dessa expressão. Diante de uma tragédia, as pessoas procuram se consolar com um “essa foi à vontade de Deus”. E ainda em momentos de estupefação, Deus pode aparecer numa exclamação, “meu Deus!”.

Nessas três situações, Deus funciona como um alento, um consolo e um motivo para resignação. Mas, em alguns episódios Deus nos serve mesmo para Nele colocarmos a culpa pelos nossos males, as nossas tragédias pessoais. “Deus, por que fez isso comigo?”, “Deus, o que eu fiz para merecer isso?”. Até Jesus quando crucificado foi levado a questionar “Eli, Eli, lamá, sabactáni?”, ou seja, "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?" É nessa hora Que Deus cumpre sua função mais importante.

Imagina o que seria de nós sem Deus para imputar culpa? Um Deus que não podemos culpar por nossas desgraças não serve pra nada, não funciona. E como me disse certa vez um amigo, nesse caso, é melhor trocar de Deus.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Sertanejos de 3º grau


De vez em quando a indústria pornográfica, digo, fonográfica nos brinda com algum “novo” segmento musical. ultimamente o ritmo que tem arrebatado multidões é conhecido por sertanejo universitário.

Todo mundo já deve ter ouvido mas, pouca gente sabe o significado exato do termo. Eu, por exemplo, não sei.

Ainda não consegui identificar a diferença entre o universitário e os outros ritmos sertanejos. Se esse novo sertanejo é o universitário devo concluir então que os mais antigos são de ensino médio e fundamental? Qual é o grau de escolaridade de Chitãozinho e Xororó, 8ª série?

Enfim, são muitos os questionamentos e eu não sou exatamente um expert no assunto. De qualquer modo fico feliz de ver que o sertanejo deixou aquela vida sofrida do campo e chegou até uma faculdade. Espero que não desistam dos estudos. Quem sabe um mestrado, um doutorado? Talvez assim consigam até fazer música com alguma qualidade.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ah! Os jesuítas

Sou professor de história em um colégio estadual que se dedica também a educação de jovens e adultos. Ontem, durante o horário das aulas, uma missa católica foi celebrada em homenagem as mães e alguns fatos me chamaram bastante atenção.

A maneira como os clérigos conseguem prender o público é fantástica, as pessoas os escutam com uma dedicação e respeito realmente impressionantes. Mesmo quando não tem a menor ideia do que eles estão falando.

Durante a missa foi lida uma passagem bíblica, atos dos apóstolos, essa passagem, se não me engano tirada do Antigo Testamento, fala de conversão. Em um trecho aparece a expressão “circuncidar” que alguns dos membros de uma tal comunidade citada no texto diz ser necessário como um último ato de conversão.

Eu fiquei realmente muito intrigado, o texto, apesar daquele ser um culto cristão da Igreja Católica, fala da conversão ao judaísmo. Imaginei quantas pessoas ali presentes tinham conhecimento disso, quantas pessoas que estavam ali ouvindo atentamente cada palavra dos clérigos conheciam o termo circuncidar.

Durante cinco aulas eu tentei fazer com que meus alunos do 1º ano do ensino Médio se interessassem pela história dos hebreus e me escutassem com o mesmo interesse a que eles dedicavam as falas dos sacerdotes. Diferente dos padres fracassei miseravelmente. Foi ai então que tive uma luz. Deveríamos voltar ao tempo em que os padres jesuítas se ocupavam da educação no Brasil. A atenção e o interesse que eles conseguem arrancar dos alunos nenhum professor é capaz. A educação estaria salva, no que diz respeito a indisciplina então, nem se fala. O silêncio era total, só quebrado quando o padre, que aliás não é ainda um padre, mas um diácono, imagina quando se tornar padre, pedia a participação do público.

Em um determinado instante do culto ele se dirigiu as pessoas e perguntou de uma tal mulher, mãe, que havia nascido na pequena cidade de Nazaré. As pessoas ainda tímidas respondiam em um tom de voz bem baixo, “Maria”. Ele então teve que perguntar mais algumas vezes até que o público tomasse coragem para se manifestar com um pouco mais de entusiasmo. Nesse momento se destacou a voz de uma mulher, que em um tom mais alto que os dos demais presentes, disse com uma dicção impecável, “Maria Madalena”. Maria Madalena!? Pensei, mas essa não é a tal seguidora de Jesus que alguns dizem, foi uma prostituta?

O diácono, obviamente estava se referindo a Maria mãe de Jesus e não a Madalena prostituta. No entanto diante da passividade da platéia eu até fiquei em dúvida. Na minha aula quando um aluno responde a uma pergunta qualquer com um mínimo de inexatidão os outros alunos se esgoelam em risadas e escárnios. Mas ali, diante da imponente figura sacerdotal, se quer cochicharam.

O momento alto da celebração, no entanto, foi quando o candidato a sacerdote leu um poema de Pe. Zezinho, uma celebridade da Igreja Católica, que fala das mães. “As mães, em geral, são carinhosas, atenciosas, cuidadosas, caprichosas, misteriosas, amorosas, caridosas, curiosas e, quando preciso, teimosas. Responsáveis, amáveis, adoráveis, abraçáveis, beijáveis, maleáveis, indomáveis, macias, ajustáveis, às vezes indecífráveis...” e por ai vai. “...Todos esses verbos para descrever as nossas mães”, disse o futuro padre. Eu fiquei petrificado, tal qual Jesus que transformou a água em vinho, o cara tinha transformado em verbos os adjetivos, e olha que ele ainda nem é padre heim?!?

É por essa e outras que considero os clérigos ideais para cuidar da educação nesse país. Pra tal tarefa só mesmo um milagre.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Man in the box


Todo mundo conversa sozinho. E o engraçado é que todo mundo acha que quem conversa sozinho é louco. Mas temos que ser atentos. Às vezes achamos que uma pessoa está conversando sozinha mas na verdade não está. Não devemos nos esquecer que muita gente conversa com os desencarnados, por exemplo. E a gente já vai logo tirando conclusões precipitadas, achando que o cara está conversando sozinho e que, portanto, é louco. Algumas pessoas gostam também de travar longos debates com objetos inanimados, plantas, alimentos enfim... Sei até de pessoas que falam com membros do seu corpo.

Eu mesmo, por vezes, passo por louco. Gosto de falar com a Tv as vezes. Sempre que alguém entra na sala nesse momento, acha que eu estou falando sozinho.

Ultimamente tenho falado bastante com o box do meu banheiro. Fico lá sentado no chão do banheiro, nu do lado do meu vidro de shampoo Seda Style liso extremo para cabelos fracos e quebradiços, em um entusiasmado debate de idéias. O box do meu banheiro tem sido meu melhor amigo nos últimos tempos, sabe ouvir como ninguém. Pra dizer a verdade, é uma conversa meio unilateral. Não sei, acho que sou um pouco egocêntrico, gosto de ficar falando muito de mim mesmo. Tem haver também com essa fase que estou passando, quero mais ser ouvido do que ouvir.

Tenho certeza, se alguém pudesse me ver ali, já iria logo se apressando em me julgar louco.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Pac lonely man


Você se lembra do Atari? Seu primeiro micro-computador foi um msx? Você assistiu Barrados no Baile aos domingos pela manhã e curtiu cada episódio de Anos Incríveis? Todos os seus amigos estão casados? Parabéns, assim como eu, você passou dos 30.

Trinta anos corresponde a uma geração. Se você ainda não tem um filho, está na hora. A natureza é mesmo sábia. Chegar aos 30 anos sem filhos e esposa é mais ou menos como ser condenado à morte. Ou você se casa, para poder freqüentar as reuniões, as festinhas de seus amigos casados, os programas familiares ou prepare-se para a solidão. Foi essa a maneira sutil que a natureza encontrou para lhe dizer que você só está aqui pra perpetuar a espécie.

Você pode até querer contrariar a natureza, mas terá que estar preparado para as conseqüências desastrosas. A história mostra que o homem, ao longo de sua trajetória evolutiva, está sempre contrariando a natureza e pagando caro por isso. É uma obsessão humana o domínio sobre ela. O máximo que conseguimos até agora foi transformá-la, domina-la ainda é uma utopia.

sábado, 29 de novembro de 2008

Meu mundo caiu


Como agir quando em um relacionamento de anos um dos dois decide acabar com tudo? Chorar desesperadamente pedindo pra pessoa amada não fazer isso. Essa é a escolha de dez entre dez pessoas. O melhor seria manter a dignidade e fingir que conseguirá tocar a vida com naturalidade. Afinal, relacionamentos começam e terminam todos os dias.

Muitas vezes a pessoa abandonada parte para extremos. A dependência do outro não raras vezes pode terminar em tragédia, como no caso famoso da Tv. Aliás, o rompimento da relação pra quem é abandonado é uma tragédia mil vezes maior que uma hecatombe nuclear. Nada mais tem graça, nem as mulheres que antes do rompimento pareciam tão atraentes.

Enquanto aquele que decidiu pelo rompimento se sente livre para novos relacionamentos, quem é abandonado não consegue se livrar da dependência do outro. No fundo a gente sempre acha que há ainda uma esperança. É isso que nos mantém de pé. Você tem que ir tomando conhecimento da situação aos poucos, pra ir se acostumando com a idéia. Do contrário seria insuportável e ai já sabe, tragédia.

O ideal era dividir o sofrimento entre os dois, meio a meio. Mas isso infelizmente não é possível. É terrível pensar que enquanto você sofre o outro está fazendo planos para um futuro sem você. E quando o rompimento é causado por um terceiro individuo? Bom, melhor parar por aqui.

Sim, essa é uma experiência pessoal. Estou passando por essa tragédia. No entanto, tento manter o otimismo que me é característico. Tem sempre alguma coisa de positivo para se tirar das piores situações. Eu só não consegui encontrar ainda, mas deve estar por ai em algum lugar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Para Sandra


Não tenho mais em que me segurar

Não tenho mais casa pra voltar

Não há mais nada pra mim

Não há mais música

Não há mais vida

Não há mais ar

Não há