quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Teoria do caos


Uma tragédia se dá a partir de uma série combinada de fatores. No caso de um garçom baiano, a quem chamarei apenas de Raimundo, isso aconteceu de uma forma tão particular que chega a ser cômico. No domingo último, Raimundo assistia a Goiás e São Paulo, em uma partida da penúltima rodada do Campeonato brasileiro. Como o seu Timão já não disputava mais nada no campeonato, resolveu secar a campanha do clube paulista rival. Embora torcedor de outro time paulista, comemorou cada gol do Goiás como se fosse do seu próprio time do coração. Havia bebido umas e outras naquele domingo de futebol. Ao se empolgar na comemoração do quarto gol do Verdão, aproximou-se demais da janela do apartamento onde morava com sua companheira e mais 3 filhos dela, se desequilibrou e caiu. Despencando do 3º andar.


Raimundo, garçom, 37 anos de idade, natural de feira de Santana na Bahia, poderia, naturalmente, ser torcedor do próprio Bahia Esporte Clube, do Vitória seu arqui-rival ou de qualquer outro time baiano. No entanto, Raimundo era torcedor fanático do Corinthians. Time mais popular da cidade para onde havia se mudado, assim como milhares de outros nordestinos, para tentar uma vida melhor.


Se o São Paulo ganhasse o jogo naquele dia, o que era bem provável, Raimundo no máximo teria se aborrecido e dormido no sofá. Acordado no outro dia, se aborrecido de novo com a gozação de algum amigo são-paulino, e continuado sua vida.


Mas, o Goiás que das últimas nove ou dez partidas havia ganhado apenas um jogo, jogou tudo naquele dia, e goleou o São Paulo por 4 a 2. Poderia ter sido só 3 gols. O terceiro gol Raimundo comemorou gritando pelo corredor do prédio, seguro, com os dois pés no chão. Do terceiro para o quarto gol se passaram exatamente seis minutos, tempo suficiente para Raimundo tomar apenas mais alguns goles. Ao ver Léo Lima carregar a bola até a entrada da área e chutar rasteiro no canto esquerdo de Rogério Ceni, Raimundo não se conteve. Precisava gritar, gritar alto pra todo mundo ouvir. Naquele instante, subir em um dos braços do sofá para alcançar a janela, pareceu uma boa ideia. Não foi.


A família veio de feira de Santana para acompanhar o velório e o enterro em um cemitério do Embu, na grande São Paulo.

2 comentários:

enivaldo disse...

Se fosse no subúrbio ou muma cidadezinha pequena, diria ser, coisa de surbubano ou o pessoas sem educaçao, pessoas de nível baixo. baixa escolaridade. Mas no Rio de Janeiro, onde tudo chega primeiro, moda, musicas e outros. digamos, o Rio continua sujo e fétido.

alysson disse...

Trágico (e até bem cômico para os mais sarcásticos) o que aconteceu com este torcedor.

E nem era torcedor esmeraldino, aliás o torcedor do Goiás não estava lá tão empolgado depois da campanha ridícula no segundo turno.